quinta-feira, 15 de março de 2012

O teu Retrato

Nos teus olhos eu sempre vi a luz, o mar e a terra que trabalhavas afincadamente. Lá,eu sempre vi a alegria de viver e a coragem de sonhar. O teu rosto era a expressão da maturidade pura, a tua beleza e jovialidade mantinham-se dia após dia.Com o surgir das tuas rugas, eu percebi o quanto eras feliz, realizado,jamais falaste delas… para ti eram imperceptíveis. Dos teus lábios eu sempre ouvi palavras sábias e fortes, sempre tiveste a ousadia da frontalidade. Olhaste-me sempre da mesma maneira com o orgulho de quem ama e protege com todas as suas forças, assim que eu me aproximava de ti o teu sorriso era espontâneo e transparecia um coração em euforia,feliz por ver a sua menina. Os teus traços eram perfeitos, os teus cabelos outrora louros, companhia dos teus lindos olhos azuis e pele branca, teimaram em prevalecer com a mesma força mas brancos e sedosos como seda. O teu porte era altivo e atlético, como te orgulhavas disso…falavas-me sempre dos tempos em que montavas a cavalo, de como eras conquistador, com as raparigas…eras um vaidoso… Mas, apesar de já homem maduro teres casado com ela, tiveram duas princesas lindas que se juntaram a uma outra que ela sozinha criava com sacrifício e viveram felizes uma Vida, cheia de motivos, para que hoje eu me orgulhe imenso de ti. As tuas roupas eram sofisticadas, tinham de ser sempre engomadas a preceito, usavas sempre colete onde apetrechavas um lindíssimo relógio de bolso, a tua camisa era sempre branca e as tuas botas de cano alto eram sempre engraxadas por ti, como só tu o sabias fazer. Usavas samarra com gola de pêlo mas jamais vestiste camisolas de malha, nunca te vi de manga curta, pois achavas que este tipo de manga era tudo menos elegante, para ti um arregaçar de mangas bastava para suportar o calor e ao mesmo tempo mostravam predisposição para a Vida…ideias feitas à tua medida que só tu explicavas como ninguém. A tua voz insinuante punha-me em sentido…De doce tinhas pouco, mas enternecias-me de igual forma. Ouvir a tua voz era um mimo para o meu coração. Lágrimas rolaram muitas vezes dos teus olhos, não tinhas vergonha de chorar e admitias que o fazias muitas vezes quando estavas sozinho, choraste muito por minha causa, no dia em que ele partiu e pelas saudades que terias de nos ver juntos, por ele não poder assistir ao meu crescimento…mas fizeste o teu papel…fizeste o teu e o dele. As tuas mãos, eram possantes e caracterizavam a tua personalidade vincada como elas próprias. Respeitavas o próximo e a natureza como nunca o vi em ninguém, ensinaste-me tanto…aprendi tudo o que consegui…desculpa não ter aprendido a atar os sapatos como me ensinaste…mas como para os laços, descobri outras formas,para dar a laçada da Vida…à minha maneira. Recordarei sempre,a tua laçada e a tua imagem o teu perfil. Assim como lembro ainda aquela tarde quente em que foste embora…o mar que amavas respeitavas silenciou, o vento soprou por entre o calor e as folhas tremeram…Nós chorámos na despedida eu e ela… sei que não gostaste, mas sei que entendeste. Estivemos sempre as duas a observar-te quieto, como sempre fazias connosco.Obrigada avô.


6 comentários:

  1. Maravilhoso. Mais palavras para quê? bj. mj

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  2. Amei...você é demais deixa-me sempre em lágrimas.Sandra Faleiro

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  3. Que giro:) Os avós são mesmo especiais:)

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    1. Obrigada pela visita:)Sim os avós são na minha opinião determinantes no crescimento de uma criança.

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